NOTA DE PESAR: AMELINHA TELES
NOTA DE PESAR: AMELINHA TELES
O LASInTec-Unifesp vem a público saudar a memória de Amelinha Teles (1944-2026), cujo exemplo e trajetória são verdadeira inspiração para todos nós. Estamos em luto desde a última terça-feira (15/09/2026), quando confirmada a sua partida.
Amelinha nasceu em Contagem (MG), em 1944, onde tornou-se escritora e jornalista. Militante do PCdoB e feminista, era uma das principais vozes que denunciava a violência de Estado produzida pelo regime militar a partir dos anos 60. Em 1972 foi presa e torturada por Carlos Alberto Brilhante Ustra no DOI-CODI de São Paulo. Seu marido César Augusto Teles e um companheiro de militância Carlos Danielli foram sequestrados na mesma ocasião.
Além de testemunhar a execução de Danielli, também teve seus filhos de 4 e 5 anos sequestrados pelo Estado brasileiro e obrigados a assistir a tortura realizada contra os pais. Amelinha encontrou forças para seguir em frente e uma generosidade rara que a acompanhou até seus últimos dias.
Com o fim da ditadura, integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo – Rubens Paiva, e publicou os seus livros mais importantes, sobretudo aqueles escritos durante os anos de chumbo ou sobre aquele período. Entre as obras de maior destaque estão “Contos da Cela Três: memórias de uma presa política da ditadura” e “Breve História do Feminismo no Brasil e Outros Ensaios”.
Nos últimos anos dirigiu a União das Mulheres de São Paulo, organização autônoma, fruto das lutas por creches entre os anos 70 e 80 e que reúne mulheres das periferias de São Paulo há mais de 40 anos.
Lamentamos profundamente a perda de Amelinha Teles e desejamos todo o conforto possível aos corações de familiares, amigos, colegas de trabalho e a todos que, de alguma forma, também foram tocados pela sua existência.
Viva Amelinha Teles! Hoje e sempre!